O Sindicato dos Farmacêuticos do Estado do Tocantins (SINDIFATO) tem recebido críticas e reclamações recorrentes de farmacêuticos e demais servidores estaduais sobre o plano Servir (antigo Plansaúde). A queixa é direta: os descontos continuam sendo feitos mensalmente no contracheque, mas, na prática, muitos serviços não são prestados com a regularidade e a cobertura esperadas.
As reclamações se intensificaram diante de um cenário descrito por entidades representativas, servidores e órgãos de controle como uma crise estrutural e financeira, que ganhou força entre o fim de 2025 e o início de 2026, com impactos concretos no acesso a consultas, procedimentos e atendimentos especializados.
CRISE FINANCEIRA E DÍVIDAS MILIONÁRIAS PRESSIONAM A REDE CREDENCIADA
Entre os fatores apontados como centrais para as interrupções e restrições de atendimento está a instabilidade financeira do plano, com reflexos diretos sobre a rede conveniada.
Relatos de hospitais e clínicas credenciadas indicaram atrasos nos repasses do Governo, o que teria levado a suspensões de atendimentos em diversas unidades. Em novembro de 2025, a rede conveniada chegou a informar uma dívida acumulada de aproximadamente R$ 247 milhões. Além disso, o próprio Governo admitiu, em outubro de 2025, que o Servir operava com um déficit mensal em torno de R$ 30 milhões.
Para o SINDIFATO, esse quadro compromete a previsibilidade do sistema e alimenta o sentimento de insegurança de quem contribui mensalmente, mas encontra barreiras quando precisa utilizar o serviço.
REDUÇÃO DRÁSTICA DA REDE CREDENCIADA AGRAVA VAZIOS DE ATENDIMENTO
Outro ponto crítico relatado pelos usuários do plano é a redução da rede credenciada, com consequências diretas no acesso em diferentes regiões do estado.
Diversas unidades de saúde teriam suspendido atendimentos eletivos, como cirurgias e consultas agendadas, alegando falta de segurança jurídica e financeira para manter contratos. Também foram registradas dificuldades em áreas específicas, com destaque para odontologia e atendimento farmacêutico, com denúncias de escassez de profissionais disponíveis para atender beneficiários.
O processo de atualização da rede, iniciado em janeiro de 2026, também gerou transtornos, pois muitos contratos antigos não teriam sido renovados legalmente, resultando em vazios de atendimento e deixando servidores com poucas — ou nenhuma — alternativa de assistência em determinadas localidades.
JUDICIALIZAÇÃO E PRESSÃO DE ENTIDADES CRESCEM DIANTE DAS INTERRUPÇÕES
Com o agravamento do problema, o tema passou a ser levado também ao campo judicial. Entidades sindicais representativas de servidores ingressaram com ações na Justiça para exigir a retomada imediata de cirurgias e tratamentos suspensos, diante do risco de agravamento de quadros clínicos e da interrupção de cuidados essenciais.
Além disso, a Defensoria Pública do Tocantins também interveio contra reajustes considerados abusivos, relatados em alguns casos como superiores a 100% nas mensalidades de dependentes indiretos, o que aumentou ainda mais a pressão por respostas e por medidas de proteção aos beneficiários.
FALTA DE TRANSPARÊNCIA E DENÚNCIAS DE MÁ GESTÃO AUMENTAM A INSEGURANÇA
Para servidores e entidades de classe, a crise não se explica apenas por números: cresce o questionamento sobre transparência na gestão e sobre possíveis falhas administrativas. São frequentes as críticas relacionadas à má gestão e ao uso político do fundo de saúde, percepção que amplia a insegurança de quem tem o desconto em folha todos os meses, mas convive com incertezas sobre cobertura, rede, autorizações e continuidade do atendimento.
Diante desse cenário, o SINDIFATO reforça que continuará cobrando do Governo do Estado medidas efetivas, com foco na regularização financeira, recomposição da rede credenciada, garantia de atendimento em todas as regiões e transparência na gestão do plano, para que o Servir cumpra sua finalidade com dignidade e segurança para os beneficiários.

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